O Primeiro lugar do Desafio KOM 60km Feminino, Segunda Edição, ficou com uma estreante em Provas.


Desafio KOM - 2ª Edição - Abril/2019


O Blog desta semana traz a incrível história de Eloïse Morhange, que começou a pedalar “de verdade” em agosto de 2018, apesar de usar a bike como meio de transporte principal desde 2004. E foi um amigo que a convenceu para participarem da prova Desafio KOM. A partir daí começaram a focar nos treinos, com pedais longos, com subidas e o máximo de vezes por semana para não perder o ritmo. E conversando com os amigos do pedal sobre esta prova, ouvia as mais diversas opiniões, indo do “você tá bem louca, prova difícil, afe que ideia de fazer isso, vocês vão morrer” ao “nossa é um lugar lindo, você vai ver, a estrada de Cunha até Campos de Cunha é maravilhosa até um “Ok! subidas são puxadas sim, mas relax, você dá conta”. Decidiram fazer o reconhecimento num bate volta, decisão importantíssima. No dia da prova, às 5h30 já estavam de pé e caminho da prova. Estava focada, apenas mentalizando que ia fazer tudo pra dar o seu melhor, mas também tomando cuidado para não se matar no começo e depois morrer na volta , sabendo o quanto é difícil dosar isso….

Quando a buzina tocou, se lembrou do que o ex-namorado dela, ciclista, lhe falava: que era sempre bom ir pra frente do pelotão, para evitar acidentes e retardatários… Então foi ultrapassando todos que podia, começando na primeira subida e aos poucos foi se sentindo mais confiante, percebendo que muita gente ali estava de boa, fazendo uma prova tranquila, e ficou de olho nas mulheres que estavam na sua frente, já que era com elas com quem estava competindo. E depois de uns 15km, só sobraram umas 2 ou 3 delas, mas desde o início estava observando a que era a primeira de todas. Seguiu ultrapassando outras pessoas de diversas categorias, seguiu pedalando, enfrentando uma subida após a outra até chegar em Campos de Cunha. Lá fez meia-volta e já deu início ao retorno com uma subida gigante! E conseguiu ultrapassar a competidora que estava à sua frente numa subida interminável na qual entrou inspirada, de pé o tempo todo e decidindo não cansar. Ficou muito feliz ao passá-la, mas infelizmente a alegria durou pouco… Numa das próximas descidas ela a ultrapassou de perder de vista, então Eloïse se conformou que ia pegar 2º lugar dos 60km e que tudo bem, já estava ótimo para a sua primeira prova na vida! E seguiu num ritmo bom, mas sem se matar também, sempre com medo de quebrar mais pro final. Quando percebeu que faltava um pouco mais de 10km pro final acelerou um pouco o passo nas partes mais planas, pensando que já não ia mais ter muito como quebrar e tinha que dar o seu máximo ali. Foi então que aconteceu uma coisa inesperada: estava no final de uma descida, vendo um planão pela frente e um cara a ultrapassou pela esquerda bem rápido. Uns instantes depois, a uns quarenta metros na sua frente, este mesmo cara se vira de costas e faz um sinal com a mão pra ela o alcançasse. Na hora não entendeu nada mas foi no instinto e acelerou pra colar nele. Ela devia estar fazendo uns 35km/h de média, mas quando encostou nele passaram pra 42km/h. Ele perguntou o seu nome, falou que ia certamente chegar em primeiro já que a próxima mina estava uns cinco minutos atrás. Ela explicou que não, que tinha uma na frente, que já não conseguiria mais alcançá-la, mas estava satisfeita com o 2º lugar. Daí ele disse a seguinte frase: “a corrida só termina na linha de chegada, não dá pra saber o que vai acontecer até lá, vai que ela fura um pneu, vamos seguir acelerando”. E foi o que fizeram, ela ouvindo todos os conselhos que ele lhe dava “estabiliza a respiração”, “gira mais leve”, “não pega essa subida longa forte demais”, etc. e o Sandro (é assim que este cara que surgiu do nada se chama ) falou pra alcançá-la. Foi o que fizeram, e chegando no topo da subida, ela avistou quem estava perseguindo a corrida toda. “Olha ela ali…”, o Sandro falou. A partir desse momento foi PAU! Ele ficou repetindo um milhão de vezes “cola nela, cola nela”. Quando começou a última descidona, ele a intimou para ir atrás do primeiro lugar.

Foi aí que começou a emoção! Ela se sentiu realmente numa competição, com gritos, incentivos, mil coisas passando pela sua cabeça. Fez a meia-volta na rotatória da entrada da cidade e na última rotatória antes da subida final, sentiu que era o momento de dar tudo! Começou a acelerar, gritos do Sandro “vai, vai, passa ela!”. Ela foi pra esquerda e passou, não sentindo mais as suas pernas e sem conseguindo respirar, de tão ofegante, mas o grito do Sandro vindo lá de trás “Vai Eloiseeeee!” lhe deu as forças que ela precisava, um grito de um desconhecido, mas de incentivo máster! Quando olhou rapidamente pra trás, ela tinha sobrado. Chegou no topo da subida e ouviu que era a 3ª a chegar no geral – duas tinham chegado dos 80km e era a primeira dos 60km!

E será inesquecível! Nunca iria imaginar que ia ser tão emocionante e se sentiu privilegiada de ter passado por isso uma vez na vida, nas montanhas de Cunha!

Este relato é um resumo de uma narrativa em primeira pessoa, digna de um filme! A história completa você encontra clicando aqui.

Parabéns Eloïse! Por histórias assim nos sentimos cada vez mais motivados a lançar outras edições do Desafio KOM, esta prova de ciclismo que organizamos com tanto carinho. O seu relato nos faz transbordar de orgulho e emoção, como um autêntico e verdadeiro exemplo de superação! Até a próxima!

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